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Domingo à tarde

Domingo à tarde

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Confinado desde o dia 9 de Março. Dificilmente esquecerei tal coisa e até voltar às rotinas antigas, acho que a sensação de voltar à "liberdade" vai ser prolongada e para ser vivida intensamente. É nesta hora difícil que pensamos em tudo: na falta que a família faz e não podemos ver nem tocar, na falta dos amigos, nas gargalhadas para nos tirarem definitivamente para fora do pensamento do dia-a-dia, do trabalho e do stress que não pára. E daí pensamos nas velhas rotinas chatas que afinal não são assim tão chatas, das coisas aborrecidas que afinal encontraram um adversário mais do que à altura.

E o transtorno que é fugir à lei por sairmos de casa, por querermos estar em sítios que sabemos que vai ter muita gente, dos mil e um cuidados que são pensados muito antes de agirmos. Esta premeditação toda mata-me, esta espera mata-me e estou tão farto de casa. 

Eu que não sou caseiro e nem pedi isto, eu que tinha rotinas de 24h fora de casa, tive de aprender a viver. Não dói como aprender a andar de bicicleta mas dói. A espera, a ansiedade do dia que ficará tudo bem.

Aos pais que fazem anos e não festejei condignamente, aos afilhados a quem a Páscoa já não soube a nada. Que depois me libertem para poder pagar as coisas que não pude viver neste tempo.