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Domingo à tarde

Domingo à tarde

A linguagem é tão perigosa

Que consegue ser indecente.

Fodia-te como me fodem os dias

E dito assim, assusta. Estremece.

Não podes ser tu a dizer estas coisas porque tu não és assim.

Então não posso. É indecente, eu sou indecente e morre a possibilidade de ser livre.

É assim que se sentem os artistas das verdadeiras artes.

Conseguem através um bocado de merda fazer uma criação artística capaz de emocionar a mais relutante de todas aquelas pessoas venenosas que nos aparecem à frente, do qual duvidámos sempre que podiam deixar cair a máscara.

Mas depois roubam-lhes o ímpeto. 

Fodem tudo.

Luta.

 

O tempo está tão quente

Tão azul e resplandecente

Que chego a acreditar

Que um suspiro é o melhor que 

Posso dar.

 

Aguentam, cantarolando

De fio à meada, concentrados

Os passarinhos que vão passando

E se encontram tão bem

Tão apresentados.

 

E há quem nos queira destruir

Colocando-nos na palma da sua mão

Como se a ternura fosse negociável

E nunca tivessem tido um aperto

No coração.

 

E ganhamos força

Quanta força ganhamos por não desistirmos

De abraçar os passarinhos

Da nossa vida.

Não sou do tempo da ternura,

não sou chuva, nem vento

que se assemelhe ao tempo

que perco nesta loucura.

 

Nunca vagueio sozinho,

mas levo o cheiro a mar comigo

que trago no peito como um amigo

carregado de carinho.

 

E vou-me rindo de mim,

como se fosse feliz

brincando como sempre quis.

Serei sempre assim.