Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Domingo à tarde

Domingo à tarde

Não há forma de conter isto, de conter as pessoas, tudo. As pessoas definitivamente entraram num estado onde o vírus já não entra no pensamento, que o perigo é muito menor que a liberdade que pretendem. 

Percebo que o esforço para a contenção é uma tarefa impossível, mesmo que os números continuem a aumentar em todos os aspectos. Existem mais de 20 mil infectados e até o número ser 0 ou próximo disso, haverá sempre perigo, isto continuará a estar por cá.

Há muitas variáveis em cima da mesa e todas elas humanas. Ninguém se prepara para desfazer rotinas, formas de viver antigas e criar novas completamente do avesso. 

Será que iremos aprender alguma coisa com isto?

 

pills-on-blue-background-3936369.jpg

Confinado desde o dia 9 de Março. Dificilmente esquecerei tal coisa e até voltar às rotinas antigas, acho que a sensação de voltar à "liberdade" vai ser prolongada e para ser vivida intensamente. É nesta hora difícil que pensamos em tudo: na falta que a família faz e não podemos ver nem tocar, na falta dos amigos, nas gargalhadas para nos tirarem definitivamente para fora do pensamento do dia-a-dia, do trabalho e do stress que não pára. E daí pensamos nas velhas rotinas chatas que afinal não são assim tão chatas, das coisas aborrecidas que afinal encontraram um adversário mais do que à altura.

E o transtorno que é fugir à lei por sairmos de casa, por querermos estar em sítios que sabemos que vai ter muita gente, dos mil e um cuidados que são pensados muito antes de agirmos. Esta premeditação toda mata-me, esta espera mata-me e estou tão farto de casa. 

Eu que não sou caseiro e nem pedi isto, eu que tinha rotinas de 24h fora de casa, tive de aprender a viver. Não dói como aprender a andar de bicicleta mas dói. A espera, a ansiedade do dia que ficará tudo bem.

Aos pais que fazem anos e não festejei condignamente, aos afilhados a quem a Páscoa já não soube a nada. Que depois me libertem para poder pagar as coisas que não pude viver neste tempo.