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Domingo à tarde

14
Jun19

O cérebro é pouco "instagramável"

David Marinho

Eu acredito que só com propósitos podemos crescer e que sem eles, a nossa vida torna-se vazia, sem sentido e possivelmente na nossa cabeça, tentaremos de tudo para acabar com ela (como acontece cada vez mais).

Nós ignoramos muitas vezes os sinais. Ignoramo-nos e ignoramo-los muitas vezes por desleixo ou por cansaço, o que pode ser perigoso. 

É preciso encontrar desafios e objectivos para preenchermos a nossa vida. Só assim teremos capacidade para lutar por alguma coisa, que nos dá tempo e alento para prosseguirmos.

Por estes dias pensava nisto: passaria, mais ou menos bem, se um osso se partisse e me deixasse incapacitado de alguma maneira (*bater três vezes na madeira*). Talvez suportasse. Mas ficar com o cérebro de certa forma incapacitado, deixa-me com um medo de morte. Chegar a um ponto onde não tenho autocontrolo, emoções, capacidade de decisão, locomoção, memória, deixa-me assustado.

E para ginásios, corridas, aulinhas de grupo todos vemos publicidade, pessoas e dinheiro a movimentar-se. Para exercitar o cérebro, mantê-lo são, explicar que sem a posse de todas as faculdades, tornamo-nos batatas autênticas, é que já não há nada. E devia com urgência. Os músculos não mudam correntes de pensamento, não mudam estados sociais, não mudam formas de estar e ser. A cultura da imagem matou o cérebro, que é pouco instagramável. Já nem falo da falta de cultura, mas do simples acto de pensar. Pensa-se pouco e quando não se pensa, tudo o que não usamos no nosso corpo volta ao estado selvagem e toma conta de nós mesmos.

Mudemos isso.

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6 comentários

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    David Marinho

    15.06.19

    E deviam dar-lhe importância. Há tanto cérebro inutilizado por opção que chega a assustar-me.
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    Sarin

    15.06.19

    Para lhe darem importância teriam que saber como funciona, suponho; infelizmente não traz manual de instruções nem há cursos de formação inicial - há uns anos tentaram-no com uns 'workshops' engraçados a que chamaram ensino tendencialmente gratuito, mas depois estragaram tudo com os 'likes' dos 'rankings' :/
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    David Marinho

    15.06.19

    É que precisamos de cérebros. Assim de repente parece-me uma ideia estapafúrdia.
    Mas eu sei qual vai ser o resultado disto tudo. Aliás, já se começa a ver...
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    Sarin

    15.06.19

    Precisamos, sem dúvida! Mas não estão na moda. E os 'influencers' parecem 'influenzers', o demérito do lado de quem se deixa contagiar.


    Pergunto-me quanto faltará para chegarmos ao vazio total do crânio - depois disso, o caminho será sempre a encher, certo?
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    David Marinho

    15.06.19

    Não faltará muito, não. Depois disso morre tudo porque se não tens a capacidade para pensar, é a desordem total, matam tudo, nada passa a ser sustentável, etc, etc.
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