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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

26.Fev.18

Abdicar do medo de viver

David Marinho

Quando somos muito jovens, vivemos no desespero de viver tudo ao mesmo tempo, de experimentar tudo em quantidade, mesmo que não se veja qualidade em nada do que se faz. Instigamo-nos a fazer merda (da grossa) para podermos ter a certeza que pior do que aquilo não há e esquecemos as pessoas, mas não é por mal. Esquecemos porque elas são apenas pontes de contacto com a terra, porque vivemos o tempo todo na lua.

Mas com o passar do tempo, vamos filtrando a estupidez e vamos ganhando uma certa burguesia na alma. Já não queremos em quantidade mas em qualidade, e pior é quando a qualidade fica abaixo do nosso patamar - tornamo-nos chatos, muito chatos. Pagamos para experimentar a melhor comida, o melhor vinho, a melhor terapia, o melhor hotel, a melhor viagem, o melhor serviço. Quando já não somos tão jovens assim, procuramos absorver tudo, na exacta conta da emoção das coisas, com medo que percamos tudo com o passar do tempo.

É preciso abdicar do medo de viver. Abdicar do aborrecimento que é não ser novo, porque há sempre tanto para contar.

 

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