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Domingo à tarde

Domingo à tarde

25 de Novembro, 2019

Menosprezar sentimentos, porquê?

David Marinho

Não podemos menosprezar o sentimento de ninguém pelas coisas. Há lá coisa mais horrível que rejeitarem que afinal somos feitos de carne e sentimos coisas? É que a insegurança é uma coisa tão volátil como verdadeira, porque não há ninguém que não seja inseguro. 

Não há ninguém que não tenha temido nada na vida.

Todos queremos vencer mas a menos que não tenhamos adversidades nem adversários, temos de lutar. E lutar requer esforço e dedicação e a probabilidade perder é de 50%. Sempre.

Menosprezar que sentimos é menosprezar que falhamos. Que podemos falhar e que isso é tabu.

Se soubéssemos, no alto da nossa sapiência, a quantidade insana de gente incapaz de crescer com medo de falhar...

O produto feito é sempre produto inacabado. Nunca saberemos os limites.

22 de Novembro, 2019

De onde veio tanta chuva?

David Marinho

Não gosto disto.
Acordar a uma Sexta-Feira para enfrentar este vendaval e um trânsito infernal, devia ser proibido.
É que a água não tem vergonha e entra por todo o lado, embarcando numa aventura de miss roupa molhada de dimensões épicas.
Nem as botas, compradas para suportar as chuvadas mais valentes, aguentou. Ou a natureza vai lixando todos os planos, ou o material não é bom ou então simplesmente não gosto de levar com chuva em cima. Os os três.
Odeio levar guarda-chuva.
É que no fim do dia ou o perco ou deixa de ser um.
Vidas.

21 de Novembro, 2019

Tens tempo?

David Marinho
A chuva. 
 
O cheiro a terra molhada lá de fora.
 
O cheiro a café (moído na hora) cá dentro.
 
Um lar.
 
Pouca coisa é tão visual como viver. Não há nada que nos provoque tamanha sensação de liberdade e descanso do que poder viver.
Já nos chega ter de sair todos os dias para enfrentar o mundo com mil caras, com mil formas de ver as coisas, muitas vezes porque tem de ser.
Então agarro-me a isto, bucolicamente a isto. Como se fosse um ritual, uma forma de me convencer que existo, que ainda vivo.
Mas conseguir sentir isto é poder ter tempo para sentir. E falhamos muitas vezes isso.
Não temos tempo.
Não temos tempo.
Não temos tempo.
 
E precisamos. Tanto.

 

20 de Novembro, 2019

Fodem tudo

David Marinho

A linguagem é tão perigosa

Que consegue ser indecente.

Fodia-te como me fodem os dias

E dito assim, assusta. Estremece.

Não podes ser tu a dizer estas coisas porque tu não és assim.

Então não posso. É indecente, eu sou indecente e morre a possibilidade de ser livre.

É assim que se sentem os artistas das verdadeiras artes.

Conseguem através um bocado de merda fazer uma criação artística capaz de emocionar a mais relutante de todas aquelas pessoas venenosas que nos aparecem à frente, do qual duvidámos sempre que podiam deixar cair a máscara.

Mas depois roubam-lhes o ímpeto. 

Fodem tudo.

Luta.

 

19 de Novembro, 2019

Filtro social

David Marinho

Está tudo doido.

Já me tinha habituado à ideia de que as coisas correm à velocidade da luz e que, para apanhar o comboio, bastava um movimento de sorte e ter força para aguentar o puxão.

O problema são os que ficam, que não querem saber da sorte ou do azar e montam o seu acampamento, destilando ódios pequenos que formam um bolo gigante que vai corroendo até ao estômago.

Ser feliz é estar bem. 

Não ser feliz é não estar bem.

E não estar é razão suficiente para procurar estar.

E quando olho à nossa volta, há quem não procure e tenha desistido até. Existem os que se isolam e os outros que fazem questão de partilhar a nuvem negra que as envolve.

E esses destroem o equilíbrio, o bem-estar das coisas, o normal funcionamento. A esses, embora poucos, não me interessa ter na minha vida. Então saio, desligo e deito fora. 

Cada um é responsável pelos seus actos, por deixar a sua boa marca.

E eu filtro, filtro, filtro.

18 de Novembro, 2019

Regresso na foz

David Marinho

Às vezes desapareço porque o mar chama-me. É qualquer coisa relacionada com os signos que parece ser verdade, então desapareço por uns tempos. 

Mas vejo tudo daqui, da foz do rio num banco gelado de pedra. Os vales que circundam esta vida, as casas caiadas, as pessoas que passam, o veneno que corre nas ruas, vejo tudo.

No entanto ninguém me vê, e vou-me rindo até me fartar. É que ver os outros sem agir é bom até certo ponto, depois tudo se complica.

E hoje vim com palavras. Podiam ser pedras, que o mundo não está para brincadeiras. Mas as palavras são menos pontiagudas.

Mas também podem doer.

Olá, pessoas.