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Domingo à tarde

Domingo à tarde

17 de Junho, 2019

Privilégio de ler o Quiosque da Joana (ou Kiosk que é jovem)

David Marinho

Eu sinto-me privilegiado por ter na minha vida pessoas incríveis. Parte de sucesso partiu do meu feitio de merda que encanta as pessoas mas a outra parte diz respeito ao feitio de merda das outras pessoas que me encantam a mim. 

É a simbiose perfeita entre feitios, um potpourri de atitudes lamentáveis, de tal forma, que acabam no fim por serem agradáveis. 

Falando a sério: sou grato por conhecer gente boa e gente muito boa. Há pessoas que me fazem crer que tudo isto existe por um óptimo motivo e que é por elas que o mundo continua de pé. É que no meio de um mundo completamente arrasado, alguém tem de dar esperança a isto, não é?

É por isso que a Joana existe: alegrar-nos com uma novela que preenche a sua vida. É reconfortante com'ó raio ler o que ela escreve e não me canso, como se tivesse saído da Netflix directamente para o Sapo. Mas sobretudo...para mostrar que há famílias maravilhosas que só podemos invejar (passemos à frente dos clichés "olha que isto não é tudo um mar de rosas" ou "olha que por cada caneca de arroz, duas de água", etc). Já sei. Mas é invejável tudo o que conquistaste e as pessoas estão gratas por arrombares a porta das casas delas para fazer rir e para fazer chorar, todos os dias. E família que cresceu? Privilégio assistir a isto!

É um follow monday, ok? ok.

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16 de Junho, 2019

Portugal está preparado para o futuro?

David Marinho

Não conheço outras culturas o suficiente para saber como se comportam enquanto sociedade actual. Seria interessante perceber se o que existe, existe de forma similar noutros países e também para ter uma base de comparação.

Não é por ingenuidade que o vou dizer mas vivemos num país atrasadíssimo, que vive numa bolha constante de onde nunca saiu. É difícil querermos seguir uma corrente de pensamento que tem dado resultados lá fora, cá dentro. É difícil explicar às pessoas que as mudanças são necessárias para continuarmos a ter desafios no país, enquanto país, enquanto cidadãos, enquanto pessoas. Culturalmente somos um exemplo, melhores em tudo mas somos pouco objectivos. Agarramo-nos muito ao país histórico que não existe, às gentes que não existem, a uma cultura de esforço e luta que não temos.

E não sabemos (ou não queremos) interpretar os sinais. 

E não somos assim um país tão livre. Ainda existe um rasto tremendo de atropelos constantes aos direito humanos, de uma cultura do "tacho" e da "cunha" monumental que contradiz completamente a importância que tem as habilitações superiores ou os méritos efectivos de cada um.

E para rematar no fim: somos um país mesquinho. Mas só o somos quando nos afecta, quando algo nos tira o pão da boca. Porque da nossa linha para fora, passando a ser responsabilidade de outro qualquer, já não queremos saber - ou fingimos não querer saber.

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(atenção, temos muitas coisas boas - um país lindíssimo - mas hoje é só para tocar na ferida)

14 de Junho, 2019

O cérebro é pouco "instagramável"

David Marinho

Eu acredito que só com propósitos podemos crescer e que sem eles, a nossa vida torna-se vazia, sem sentido e possivelmente na nossa cabeça, tentaremos de tudo para acabar com ela (como acontece cada vez mais).

Nós ignoramos muitas vezes os sinais. Ignoramo-nos e ignoramo-los muitas vezes por desleixo ou por cansaço, o que pode ser perigoso. 

É preciso encontrar desafios e objectivos para preenchermos a nossa vida. Só assim teremos capacidade para lutar por alguma coisa, que nos dá tempo e alento para prosseguirmos.

Por estes dias pensava nisto: passaria, mais ou menos bem, se um osso se partisse e me deixasse incapacitado de alguma maneira (*bater três vezes na madeira*). Talvez suportasse. Mas ficar com o cérebro de certa forma incapacitado, deixa-me com um medo de morte. Chegar a um ponto onde não tenho autocontrolo, emoções, capacidade de decisão, locomoção, memória, deixa-me assustado.

E para ginásios, corridas, aulinhas de grupo todos vemos publicidade, pessoas e dinheiro a movimentar-se. Para exercitar o cérebro, mantê-lo são, explicar que sem a posse de todas as faculdades, tornamo-nos batatas autênticas, é que já não há nada. E devia com urgência. Os músculos não mudam correntes de pensamento, não mudam estados sociais, não mudam formas de estar e ser. A cultura da imagem matou o cérebro, que é pouco instagramável. Já nem falo da falta de cultura, mas do simples acto de pensar. Pensa-se pouco e quando não se pensa, tudo o que não usamos no nosso corpo volta ao estado selvagem e toma conta de nós mesmos.

Mudemos isso.

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13 de Junho, 2019

É possível haver equilíbrio?

David Marinho

Ao ler o post de Uma pepita de sucesso lembrei-me de como a poesia consegue descrever a vida de uma forma muito mais directa do que a prosa. Então lembrei-me de uma pequena peça literária de Mário Quintana que continua muito actual:

Esse tic-tac dos relógios
é a máquina de costura do Tempo
a fabricar mortalhas.

e todo o meu entendimento para aquilo que eu acho que é o passar de tudo isto, diz muito do tempo a que estamos destinados a viver e a morrer. Não há fatalidade nenhuma nisto tudo. Há destinos que sabemos que são traçados e talvez seja por isso, por sabermos a verdade, é que vivemos obcecados com tudo. Acho até que vivemos numa total acalmia mascarada só para não causar o pânico que sentimos dentro de nós.

É possível haver equilíbrio entre não estar obcecado com a morte, ao mesmo tempo não estarmos obcecados com a vida? É possível não vivermos apenas numa constante espera pela morte ou num desespero tremendo por viver?

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Nota: leiam o blog da Luísa Uma Pepita de Sucesso - excelente trabalho!

 

 

12 de Junho, 2019

Frustração no trabalho

David Marinho

Quem disse que os caminhos são fáceis é porque não teve de os escolher. Não há uma forma fácil de chegar a Terra sem passar por tempestades, dissabores ou expectativas frustradas. 

Aliás, é essa frustração que mede a ambição que temos. Quanto mais a frustração...é suposto ser assim, certo?

E eu passo por isso. O caminho não foi fácil mas fez-se e vai-se construindo.

Mas vejo outros a quem o caminho foi destruído e não vêm resolução à vista, nem as ferramentas têm para se levantarem sozinhos. A esses resta a porta de saída e nem sempre sabemos bem porquê.

Mas trabalhem, trabalhem bem. Não trabalhem muito. A qualidade do trabalho, mais tarde ou mais cedo e mais que a quantidade, será recompensada. Ou deveria.

Mas não nos livramos desse caminho.

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11 de Junho, 2019

Bengalas da vida

David Marinho

Sei que faz frio e calor

Que ninguém aguenta, desesperam até

É que ninguém suporta duas coisas ao mesmo tempo

Se não domina uma sequer.

 

Então levamos um casaco.

São aquelas bengalas para a vida

Que dá trabalho e nem sempre usamos.

Um pouco como isto tudo:

Leva contigo tudo o que sabes, não sabes o que poderá acontecer a seguir.

06 de Junho, 2019

A confiança é a base de tudo

David Marinho

...mas é preciso disciplina. Não se confia quando não se é disciplinado, seja para o que for. 

É preciso focar no objectivo de confiar: nas pessoas e sobretudo em nós mesmos, nas nossas capacidades. Disciplinar a cabeça para libertar o peso da desconfiança é das maiores vitórias que poderão ter, porque vos liberta para outras coisas, auto-conhecimento, para vosso redor.

E disciplina requer tempo. E porque perder tempo passou a ser utopia, é que nós desconfiamos tanto. Ninguém quer despensar um segundo para pensar, avaliar ou requerer.

É tudo no imediato...ou é ou então não confio.

Por isso hoje percam tempo convosco. Se não é confiável, tudo acabará por se revelar e irão à vossa vida. Se é, aproveitem.

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05 de Junho, 2019

Portugal na final

David Marinho

Não há palavras para descrever Cristiano Ronaldo. Acaba de nos lançar para a final da Liga das Nações com três golos, aos trinta e quatro anos, como se nada fosse. Já o davam como morto para o futebol há algum tempo (acreditem) mas ele lá vai canalizando tudo isso em trabalho e resultados.

Aliás, Ronaldo é exemplo daquilo que poderíamos ser na nossa vida: dedicado a 110%, com prazer, desde sempre. Lutou muito para chegar onde chegou e agora vai colhendo frutos ao longo do tempo.

Um dia, Ronaldo sairá de cena do teatro do futebol e com ele, este, morrerá um pouco. Não há ninguém que tenha a magia e dedicação que ele (e até o Messi) têm.

Sei que somos um país pouco patriótico mas final...é para se ganhar.

fonte

05 de Junho, 2019

A forma como falamos com a nossa Mãe

David Marinho

A forma como falamos com a nossa própria Mãe, diz ou não muito de nós?

É puramente educação ou é apenas nível de confiança?

Acho que serei sempre uma criança para ela, aos olhos dela sobretudo. Não tenho outra forma de amor do que a de respeitar a sua posição, o seu afecto e o tempo que despendeu sempre comigo. Mãe é Mãe mas é preciso perder tempo com os filhos - e ela soube perder tempo comigo. 

Há qualquer coisa no tom de voz, no levantar da mão que nos assusta em pequenos, que quando se perde com a idade nos assusta em adultos. Ninguém quer ver uma mãe a perder faculdades, sejam elas quais forem. A minha não perdeu, muito menos a noção da minha idade, que não quer perder nem por nada deste mundo. 

E é uma dívida de gratidão que lhe devo todos os dias. De gratidão e de eterno respeito. Não soube apenas trazer-me ao mundo. Fê-lo aos bocadinhos todos os dias e merece sabê-lo.

Nada lhe orgulha mais do saber que lhe devo tudo.

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04 de Junho, 2019

Mais mulheres como Agustina Bessa-Luís

David Marinho
A mulher, até pelo seu grande poder de insignificância, é muito menos vulnerável que o homem.

Raras vezes me cruzei com a escrita de Agustina Bessa-Luís, talvez por desassossego ou mesmo conformismo. Mulheres como ela, merecem um lugar de destaque nas mais profundas raízes da escrita, da poesia, da alma. E merecem ser destacadas, amplificadas pela crítica positiva de grandes obras que grandes mulheres souberam produzir. 

Mas a lucidez de Agustina era tudo menos inocente. Ela sabia exactamente como as coisas eram, o país que era e por isso foi tão importante, por ter percebido sempre como as coisas eram.

E agora resta-nos a sua obra e tudo o que por cá deixou. Porque tudo o resto, como nós um dia, foi tudo.

 Imagem relacionada

 

Vejam a entrevista da excelentíssima Desarrumada ao Sapo!

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