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Domingo à tarde

30
Ago19

Há vícios e vícios

David Marinho

Há pessoas que são cinzeiros humanos. Nota-se-lhes ao longe o cheiro e a marca enraizada da nicotina e do alcatrão, que daria para matar a bicharada toda ao primeiro bafo.

Vício é vício e todos nós temos. Mas existem os que nos fazem mal e os que fazem mal aos outros. E vícios que fazem mal aos outros não deviam existir.

É o que sinto neste momento. Que comi uma sandes de alcatrão, quente, que se vai propagando na sua forma, cor e cheiro à população que compõe a carreira das sete a caminho da capital.

E ninguém me perguntou se tinha fome.

22
Ago19

Não desistas da vida

David Marinho

O tempo está tão quente

Tão azul e resplandecente

Que chego a acreditar

Que um suspiro é o melhor que 

Posso dar.

 

Aguentam, cantarolando

De fio à meada, concentrados

Os passarinhos que vão passando

E se encontram tão bem

Tão apresentados.

 

E há quem nos queira destruir

Colocando-nos na palma da sua mão

Como se a ternura fosse negociável

E nunca tivessem tido um aperto

No coração.

 

E ganhamos força

Quanta força ganhamos por não desistirmos

De abraçar os passarinhos

Da nossa vida.

15
Ago19

Livros e fotografia

David Marinho

Não diferem muito. Somos nós que em último caso lhe mostramos uma visão pessoal das coisas, com a ligeireza que nos possa caracterizar. É que a fotografia e os livros contam histórias, que narradas como convém ao narrador, é uma história nova, diferente todos os dias. É por isso que nunca dispensei uma estante cheia de leitura e vida e de uma máquina onde possa explorar o mundo.

Às vezes imagino uma forma de estar onde eu possa dividir o tempo entre leituras e uns disparos da máquina. Quanta alegria poderíamos distribuir de uma ideia concebida através da nossa visão das coisas?

E hoje tive essa vontade: procurei nas estantes uma nova leitura e coloquei-a em cima da mesa. Guardei a máquina na mochila e o livro e segui caminho. Descobri várias cidades numa só e sem pressas e, ao final do dia, viajei para Santiago do Chile à boleia de Luís Sepúlveda e acabei a noite no Martinho da Arcada a ouvir Almada Negreiros contar como era a vida no tempo dele.

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